segunda-feira, 31 de agosto de 2009

As pessoas amadurecem



Conversas de adolescentes.
- E sábado, Ane?
- Ah, mulher, não sei.. Tô lisa!
- Tu num tava trabalhando?
- Tava, não tô mais...
- E cadê o dinheiro que tu recebeu?
- Gastei tudo...
Dinheiro torrado em festas. Salários inteiros transformados em noites e ressacas pela manhã. Notei um leve arrependimento.
- Besteira, os momentos devem ter valido a pena.
- Eu sei, mas eu poderia ter guardado pra investir em algo de verdade, que durasse, que alguém precisasse...
Pensei em doações à igreja e aos orfanatos. Talvez algum utensílio doméstico que facilitasse a limpeza da casa ou quem sabe um livro, livros duram.
- Mas eu era muito imatura, mulher! Só pensava em festa, em sair. Podia muito bem ter comprado roupas, maquiagens, brincos, sapatos...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Saco é um saco.


http://www.youtube.com/watch?v=QeqBwx1g2lQ

Pra cidade, pro planeta, pro futuro e pra você.
O Ministério do Meio Ambiente lançou no Rio de Janeiro, no dia 3 de agosto de 2009, a campanha “Saco é um saco” visando a diminuir o consumo dos sacos plásticos. Para quem pensa que é besteira, vamos aos números: são fabricadas 12 bilhões de sacolas plásticas por ano no Brasil. Por mês, para cada brasileiro, são 66 sacolinhas.
“É de graça mesmo.”. Pense a longo prazo... Para solucionar as complicações que os “inofensivos” saquinhos causam, o governo tem que fazer altos investimentos. Dinheiro que poderia ser usado em projetos sociais. Além de que o gasto dos supermercados com esse item é distribuído nos preços dos produtos.
Os sacos plásticos levam cerca de 400 anos para se decompor e o uso excessivo e, convenhamos, desnecessário destes acarreta no acúmulo de lixo que vai parar nos bueiros – as enchentes são cada vez mais comuns. Como o material é muito leve, não é interessante para os catadores que ganham por peso, logo, não é recolhido por eles. Com a ação do vento, os sacos são levados para o mar, formando verdadeiros lixões nos oceanos (principalmente o pacífico) e servindo de refeição para os animais marinhos. Os golfinhos devem adorar ‘saco plasticet à parmegiane’.
Confesso que as sacolas plásticas são bastante úteis, mas há outros produtos que poderiam ser usados no lugar delas que não causariam tanto impacto no ambiente nem diminuiriam a qualidade de vida de quem os usa. Quem deveria revestir as lixeiras, por exemplo, são os sacos de lixo. Soa quase como pleonasmo, mas digo isso porque as lixeiras que vejo, principalmente as de banheiros, são protegidas por sacos plásticos. Estes não podem ser reciclados devido a uma determinação da ANVISA porque entram em contato com os alimentos. Os sacos de lixo só entram em contato com restos e b*sta, então sem problemas.
E que tal uma abstinência de sacolinhas? Elas não fazem falta quando o produto pode ser carregado nas mãos ou couber nos bolsos. Até porque, para não gastar muito, os supermercados estão produzindo sacolas tão finas que você tem que usar duas ou mais, para quando puser um pirulito dentro, elas não rasgarem. Isso só aumenta o consumo.
“Os comerciantes poderão dar incentivo à população. Por exemplo, cada 50 sacolas podem ser trocadas por um quilo de feijão ou, a cada cinco itens que forem levados fora de sacolas plásticas, ganha-se um desconto de R$ 0,03”, essa foi a idéia dada por Marilene Ramos, secretária do Ambiente do governo do Rio de Janeiro. “R$ 0,03 não é nem um icekiss.”, eu também pensei isso. Imagine se eu morasse na Europa, lá as sacolas são pagas. Mudei de pensamento: “Descontão ein?”.
E viva à sustentabilidade, às sacolas retornáveis e aos bioplásticos. Faça sua parte.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Carro roubado


Dia bonito, tarde tranqüila, um evento peculiar. Casamento dos meus tios no religioso, após tanto tempo casados apenas no civil. Pena que eu já estava bem grandinha para ser dama de honra. Para o acontecimento especial, uma roupa especial: vestido esporte fino e um salto de 10 centímetros tão fino quanto o vestido. “Todos prontos?”, saímos de casa.
Descendo pela rua habitual onde o carro era deixado, fui avisada que este havido sido estacionado em outro lugar mais distante ainda. “Não tinha vaga na hora em que cheguei.”. Nada como andar mais um quarteirão cheio de pedregulhos com um salto fino. Nada como andar dois, três...
- Pai, o senhor deixou o carro em outra rua ou em outro estado?
- Não tô achando!
- Como assim, não tá achando?
- Roubaram meu carro!
Que beleza! Sem carro, sem casamento. Meu sonho de pegar o buquê e ser a próxima noiva não se realizaria. “Fala com o segurança.”, eu disse.
Mas eu disse para falar e não para berrar, fazer escândalo, dar chilique, quebrar o pau da barraca, amaldiçoar o Estado, a prefeita, o governador, o presidente e Deus.
- Como é que pode uma coisa dessas?! Eu pago imposto pra quê?
- Meu senhor, se acalme, vou ligar para o Ronda. – disse o guardinha.
- Ronda? Ligue para o FBI! Quero o meu carro!
- Eles chegarão a sua residência dentro de alguns minutos, aconselho que os espere lá.
Frustrados, eu e meu salto, meu pai e meu irmão, voltamos por aquela rua habitual, aquela mesma onde o carro sempre era deixado. Sempre mesmo, pois lá estava o Chevette 92 vermelho, intacto - quando eu digo intacto é afirmando que ele estava do mesmo jeito que havia sido deixado, aos pedaços.
Alívio? Não. Vergonha, e muita! Eu preferia andar o resto da vida a pé a passar por aquilo. “Liga logo pro Ronda, cancela, cancela!” - tarde demais. Entre muitos pedidos de desculpas e uma doença mental inventada para amenizar a raiva da ligação inútil e dos apelidos carinhosos recebidos pelo guarda alguns minutos antes, meu pai foi liberado e fomos ao casamento. Só deu tempo de ouvir o ‘Que sejam felizes para sempre’. Amém.

domingo, 2 de agosto de 2009

Amnésicos


Sempre me considerei uma verdadeira esclerosada com pai e avó esclerosados e quem sabe o restante da minha árvore genealógica também, não conheço meus antepassados como queria para afirmar isso.
Eu me perdi após ser deixada do outro lado da rua – isso mesmo, era só atravessar, mas eu esqueci o caminho e segui adiante. Senso de direção zero. Além disso, tenho que procurar meus óculos todos os dias por nunca lembrar onde foram deixados pela última vez.
E não há nada mais constrangedor do que reencontros onde se lembram de você, do que você fazia e o mais assustador: do seu nome. Como ajo? “Opa, tudo ótimo, meu anjo! Como vai a família, meu amor? Graças a Deus. Até mais, querido”. Não, não sou um ursinho carinhoso. Cada apelido é uma tentativa frustrada de tentar lembrar o nome próprio do indivíduo e não conseguir.
Isso geralmente acontece com aquela pessoa que você, forçando até o último neurônio, sabe que conhece de algum lugar. Eu disse você, pessoa normal, diferente do meu genitor. Meu pai, repito, meu pai conseguiu esquecer o meu nome. E foi ele quem escolheu. “Ei, er.. Ei, Bichinha, me traz um garfo!”. Bichinha é um gay tão gay que apenas chamá-lo de Bicha soa macho demais.
Vou começar a distribuir crachás para evitar esses transtornos. Vou usar um também. Só assim para minha avó – adivinha de quem ela é mãe – aprender que eu não me chamo Fernanda nem Núbia (minhas primas). “É Hannah, vó, Hannah!”.
O último fato: Meu tio-avô entregou um dinheiro à minha avó e avisou ao meu pai que fosse buscar depois. Sabendo da memória deficiente do meu pai, pediu à minha avó que lembrasse a este do combinado. Minha avó, receosa de esquecer, entregou as cédulas à minha tia-avó. Resultado: Esqueceram-se meu pai, minha avó e minha tia-avó do dinheiro. Acho que eu mesma vou buscá-lo e ficar com ele.
Adaptando a música do Dudu Nobre, A Grande Família, deixo a trilha sonora dos Barbosas: Caduca pai, mãe, filha, eu também sou da família, também quero caducar!

sábado, 1 de agosto de 2009

Ronda longe de ser canadense


Fardamento do Ronda do Quarteirão é confundido com ticket alimentação. Sorvete, churrasquinho e outras delícias entraram para o cardápio dos policiais do Ronda, e o melhor, tudo de graça! Eles têm que comer para ficarem fortes e proteger os cidadãos. Essa benevolência me assusta.
Meus parabéns ao nosso governador, Cid Gomes. A idéia foi boa, mas como no Brasil tudo acaba em marmelada, o Ronda já – já?! – está sob investigação. O programa, criado há um ano e oito meses, visava à criação de uma polícia “amiga”, próxima do cidadão - tão próxima que as viaturas até viraram motel.
São 210 denúncias contra os policiais do Ronda. Autoritarismo, extorsão, espancamentos, torturas, invasão de domicílio. Apenas três destas acarretaram na expulsão de três policiais. E para acobertar as sabotagens, sabe o que as mentes brilhantes fizeram? Destruíram equipamentos mecânicos e de informática. Quem paga é o cidadão mesmo.
Apesar de tudo, de acordo com as pesquisas de avaliação, 83% dos entrevistados estão satisfeitos. Pacificação social? Utopia. Vou me mudar para o Canadá!

Obs: A polícia canadense é exemplo de eficiência e civilidade. Por cinco anos consecutivos, o Canadá teve o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) num ranking de 174 países.