quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Priminhos



As coisas mais engraçadas, em minha opinião, não necessariamente nessa ordem, são: Stand-up comedy, bêbados e priminhos. Estes são pragas iluminadas por Deus, mandadas por nossas tias para alegrar nossas vidas.

Nessa semana, meus queridos priminhos, Sarah e Carlos Heitor, estão dando o ar da graça na hora do almoço em minha casa. Um resumo dos dois: Carlos Heitor, aplicado, inteligentíssimo, saco de pancadas do meu saco de pancadas (Adriel, meu irmão); Sarah, o capeta personificado, atrevida como ninguém, fugitiva de banhos.

O besteirol tinha que começar com o Rei da Mongólia, Adriel.
- Carlos Heitor é bichão, entende tudo de futebol. Diz ai, cara, o nome de um jogador do Fortaleza!
- Não sei...
- Ro...
- ...Naldo?
- ...Gério, Carlos Heitor!
- Ah...
Evoluindo a conversa:
- Deixa de ser bu...
- ...Rro?
- Olha aê! O cara sabe!
Eu que não podia perder a oportunidade:
- Ei, galera, o Adriel é retar...
- ...DADO! – Sarah e Carlos Heitor em coro.
- Mon...
- GOL!
- Ele também é in... – Disse a Sarinhah animada.
- ...Becil?
- INDIOTA, gente!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pérolas


Da esquerda para direita: Raíssa, Kbça, eu, Juma e Pirikito.

Amigos, entendam esse texto como uma declaração de amor. Vocês transformaram meu cotidiano em pura alegria.

(Só vocês vão entender esse parágrafo, então vou botá-lo entre parênteses para os outros nem se darem o trabalho de ler. Quero deixar bem claro para a Juma que não foi eu quem comeu o biscoito dela. Uma observação a se fazer é que os óculos estavam na minha mão e não no meu rosto. E Pirikito, ficar para se lascar comigo na coordenação hoje foi muito fofo.)

Enfim, algumas das pérolas que me arrancaram sorrisos:

Pirikito e Kbça conversando sobre o vestibular.
- Kbça, macho, e se cair para fazer carta na redação?
- Carta é um dos mais fáceis, Pirikito!
- Mas o problema é no vocativo... Se tivesse que escrever para o Reitor da UFC? Tem que começar com “Maravilhoso Reitor da UFC...”...

Raíssa com dúvidas na aula de português escreve “nós” e “nóis” na cadeira.
- Ei, Pirikito, qual é o certo?
- “Nós” né, Raíssa!
- Ah... Mas quando é que eu uso o “nóis”?

Juma e seus conhecimentos matemáticos.
- Ei, Juma, o “i” (parte imaginária) serve pra quê?
- Sei lá, é que nem o “pi”, não serve para nada!

Um grande churrasco para encerrar com chave de ouro o ano letivo foi marcado. No dia, Kbça e Pirikito foram à casa do Lukinhas para terminar os preparativos.
- Tia Sarita, o Lukinhas está aí?
- Tá... Vocês vão para o piquenique também?

A super indecisa.
- Raíssa, tu assiste à novela?
- Não sei...

Dúvidas em história? Procure o Kbça.
- Ei, Kbça, quando foi a Proclamação da República?
- 1959.

Em geografia também? Procure a Juma.
- Sabe quais são os continentes do mundo, Juma?
- América, Ásia, Índia...

Aniversário do Pirikito. Todos combinamos de ir à praia.
- Kbça, amanhã vocês vêm almoçar aqui né? Não se esquece de trazer roupa.
- Roupa para quê?
- Praia...
- Levo, levo... Mas estou com um problema SERÍSSIMO.
- O que houve?
- Minha havaiana quebrou o “cabreixo”. Vou de tênis?

Bagunça no cinema. O Lanterninha de olho. Pirikito fica receoso.
- Macho, pára de fazer barulho, o “Franelinha” vem já aqui.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Padrão de beleza contemporâneo


Estava revoltada, não aceitaria por nem mais um segundo as ofensas.
- Gorda, baleia, saco de areia! – Os meninos cantarolavam em coro.
Pensou em bater neles, mas sabia que isso não iria resolver sua situação. No outro dia, lá estariam eles perseguindo-a novamente.
Chegou a casa e se trancou no quarto. Escreveu no diário que só sairia de seu recinto quando emagrecesse 14 quilos. Jogou o sanduíche que a mãe havia feito pela janela e passou mais três dias sem comer.
No quarto dia, sentiu uma tontura e tudo ficou escuro. Acordou no hospital. A mãe, preocupada, recebia as orientações do médico e tentava entender o que havia acontecido com a filha. Esta arrancou as agulhas que a nutriam com o soro e fugiu. Não podiam obrigá-la a tomar soro. Soro engorda.
Às vezes comia uma folha de alface ou uma maçã, mas nada que tivesse muitas calorias. Seu corpo começou a sentir falta dos nutrientes e, como se protestasse, os cabelos começaram a ficar opacos e cair. Sua cor bronzeada deu lugar a um amarelo desbotado e lhe faltava força até para carregar a mochila do colégio.
Os meninos tiveram que inventar outra canção.
- Magricela, careca, amarela!
Ela já não se importava mais, só queria estar como as meninas das revistas e conseguiu. Superou-as, na verdade. Contados quatro meses, faleceu.
Finalmente realizaria seu sonho, viraria apenas ossos.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Amnésicos II



Fato nº 1: Moro no bairro de Fátima há nove anos, conheço as ruas Aguanambi e Domingos Olímpio como ninguém e mesmo assim, num lapso de memória, troquei-as, e fiquei esperando por vários minutos o ônibus desejado na parada errada, na rua errada.

Fato nº 2: - Pai, pode vir me pegar?
- Já estou indo.
Ele havia ficado responsável de deixar meu irmão no colégio, mas no elevador, os abençoados amigos da minha amada peste ofereceram carona. Quem pensou que eu iria esperar menos por isso, enganou-se. Não se lembrando da ligação que havia recebido nos cinco minutos anteriores, meu pai voltou para casa e dormiu. Esgalamida e quase idosa após tanto tempo de espera, eu liguei novamente.
- Pai, cadê?
- Opa, tô atrasado para o trabalho, não vou mais te pegar.
Amor e ódio caminharam juntos até eu chegar a minha casa.

Fato nº 3: Ainda bem que eu não tenho mais seis anos e ao ser esquecida, posso me virar sozinha. No ano 1998, eu, pobre criança que estudava pela manhã, só fui lembrada por meu pai às 18 horas. Talvez esse episódio seja a causa do meu trauma. Odeio esperar, realmente odeio.

Fato nº 4: Meu tio – adivinha de quem ele é irmão - foi ao centro no carro e voltou de ônibus. Só ao chegar a casa e ver a garagem vazia é que ele lembrou que tinha ido dirigindo.

Fato nº 5: Meu primo – adivinha de quem ele é sobrinho – contabilizou a perda de cinco celulares. Todos por esquecimento. E estou falando apenas dos celulares, porque seria impossível contabilizar as chaves, as roupas e outros apetrechos esquecidos por ele.

Fato nº 6: A caminho do fortal, procurei minhas chaves. “Esqueci na minha bolsa.”. Pai e irmão viajando, Empregada de férias. “Tem que voltar...”, mas não voltamos. A única salvação era minha tia estar acordada, liguei 30 vezes e não fui atendida. “A Taty deixa a chave lá, menina...”, disse minha prima. Liguei 30 vezes para a Taty, mandei esta procurar em 30 lugares prováveis, nada. Pronto, bem melhor, não tinha esquecido, tinha perdido a chave! Fiquei inconsolável.
- Devia ter deixado na minha bolsinha né, Hannah, eu ainda avisei que ia trazer.
- Aaaaaaaah, é mesmo, eu deixei na tua bolsinha.

Fato nº7: Minha avó –adivinha de quem ela é mãe- precisou de um favor do meu primo Arthur:
- Carlos Heitor! Opa... Adriel. Ô! Sávio, ô, Heitor! Múcio! HENRIQUE!
- Mas vó, QUEM É HENRIQUE?
Não existe nenhum Henrique na nossa família.

Fato nº8: Meu pai e meu irmão conversando:
- Pai, meu aniversário já tá chegando... Tu vai me dar o quê?
- Qual o melhor presente pra um menino de 11 anos?
- Eu vou fazer 13 anos, pai!
- Eu sei, tô só brincando, Gabriel...
O nome do meu irmão é Adriel.

Não cito os outros acontecimentos, porque me fugiram da memória neste instante.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

As pessoas amadurecem



Conversas de adolescentes.
- E sábado, Ane?
- Ah, mulher, não sei.. Tô lisa!
- Tu num tava trabalhando?
- Tava, não tô mais...
- E cadê o dinheiro que tu recebeu?
- Gastei tudo...
Dinheiro torrado em festas. Salários inteiros transformados em noites e ressacas pela manhã. Notei um leve arrependimento.
- Besteira, os momentos devem ter valido a pena.
- Eu sei, mas eu poderia ter guardado pra investir em algo de verdade, que durasse, que alguém precisasse...
Pensei em doações à igreja e aos orfanatos. Talvez algum utensílio doméstico que facilitasse a limpeza da casa ou quem sabe um livro, livros duram.
- Mas eu era muito imatura, mulher! Só pensava em festa, em sair. Podia muito bem ter comprado roupas, maquiagens, brincos, sapatos...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Saco é um saco.


http://www.youtube.com/watch?v=QeqBwx1g2lQ

Pra cidade, pro planeta, pro futuro e pra você.
O Ministério do Meio Ambiente lançou no Rio de Janeiro, no dia 3 de agosto de 2009, a campanha “Saco é um saco” visando a diminuir o consumo dos sacos plásticos. Para quem pensa que é besteira, vamos aos números: são fabricadas 12 bilhões de sacolas plásticas por ano no Brasil. Por mês, para cada brasileiro, são 66 sacolinhas.
“É de graça mesmo.”. Pense a longo prazo... Para solucionar as complicações que os “inofensivos” saquinhos causam, o governo tem que fazer altos investimentos. Dinheiro que poderia ser usado em projetos sociais. Além de que o gasto dos supermercados com esse item é distribuído nos preços dos produtos.
Os sacos plásticos levam cerca de 400 anos para se decompor e o uso excessivo e, convenhamos, desnecessário destes acarreta no acúmulo de lixo que vai parar nos bueiros – as enchentes são cada vez mais comuns. Como o material é muito leve, não é interessante para os catadores que ganham por peso, logo, não é recolhido por eles. Com a ação do vento, os sacos são levados para o mar, formando verdadeiros lixões nos oceanos (principalmente o pacífico) e servindo de refeição para os animais marinhos. Os golfinhos devem adorar ‘saco plasticet à parmegiane’.
Confesso que as sacolas plásticas são bastante úteis, mas há outros produtos que poderiam ser usados no lugar delas que não causariam tanto impacto no ambiente nem diminuiriam a qualidade de vida de quem os usa. Quem deveria revestir as lixeiras, por exemplo, são os sacos de lixo. Soa quase como pleonasmo, mas digo isso porque as lixeiras que vejo, principalmente as de banheiros, são protegidas por sacos plásticos. Estes não podem ser reciclados devido a uma determinação da ANVISA porque entram em contato com os alimentos. Os sacos de lixo só entram em contato com restos e b*sta, então sem problemas.
E que tal uma abstinência de sacolinhas? Elas não fazem falta quando o produto pode ser carregado nas mãos ou couber nos bolsos. Até porque, para não gastar muito, os supermercados estão produzindo sacolas tão finas que você tem que usar duas ou mais, para quando puser um pirulito dentro, elas não rasgarem. Isso só aumenta o consumo.
“Os comerciantes poderão dar incentivo à população. Por exemplo, cada 50 sacolas podem ser trocadas por um quilo de feijão ou, a cada cinco itens que forem levados fora de sacolas plásticas, ganha-se um desconto de R$ 0,03”, essa foi a idéia dada por Marilene Ramos, secretária do Ambiente do governo do Rio de Janeiro. “R$ 0,03 não é nem um icekiss.”, eu também pensei isso. Imagine se eu morasse na Europa, lá as sacolas são pagas. Mudei de pensamento: “Descontão ein?”.
E viva à sustentabilidade, às sacolas retornáveis e aos bioplásticos. Faça sua parte.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Carro roubado


Dia bonito, tarde tranqüila, um evento peculiar. Casamento dos meus tios no religioso, após tanto tempo casados apenas no civil. Pena que eu já estava bem grandinha para ser dama de honra. Para o acontecimento especial, uma roupa especial: vestido esporte fino e um salto de 10 centímetros tão fino quanto o vestido. “Todos prontos?”, saímos de casa.
Descendo pela rua habitual onde o carro era deixado, fui avisada que este havido sido estacionado em outro lugar mais distante ainda. “Não tinha vaga na hora em que cheguei.”. Nada como andar mais um quarteirão cheio de pedregulhos com um salto fino. Nada como andar dois, três...
- Pai, o senhor deixou o carro em outra rua ou em outro estado?
- Não tô achando!
- Como assim, não tá achando?
- Roubaram meu carro!
Que beleza! Sem carro, sem casamento. Meu sonho de pegar o buquê e ser a próxima noiva não se realizaria. “Fala com o segurança.”, eu disse.
Mas eu disse para falar e não para berrar, fazer escândalo, dar chilique, quebrar o pau da barraca, amaldiçoar o Estado, a prefeita, o governador, o presidente e Deus.
- Como é que pode uma coisa dessas?! Eu pago imposto pra quê?
- Meu senhor, se acalme, vou ligar para o Ronda. – disse o guardinha.
- Ronda? Ligue para o FBI! Quero o meu carro!
- Eles chegarão a sua residência dentro de alguns minutos, aconselho que os espere lá.
Frustrados, eu e meu salto, meu pai e meu irmão, voltamos por aquela rua habitual, aquela mesma onde o carro sempre era deixado. Sempre mesmo, pois lá estava o Chevette 92 vermelho, intacto - quando eu digo intacto é afirmando que ele estava do mesmo jeito que havia sido deixado, aos pedaços.
Alívio? Não. Vergonha, e muita! Eu preferia andar o resto da vida a pé a passar por aquilo. “Liga logo pro Ronda, cancela, cancela!” - tarde demais. Entre muitos pedidos de desculpas e uma doença mental inventada para amenizar a raiva da ligação inútil e dos apelidos carinhosos recebidos pelo guarda alguns minutos antes, meu pai foi liberado e fomos ao casamento. Só deu tempo de ouvir o ‘Que sejam felizes para sempre’. Amém.